domingo, 8 de novembro de 2009

A new career in a new town,




Uma fuga nem sempre é uma fuga, ponto.

Uma fuga pode ser um recomeço, uma nova perspectiva. Uma fuga pode ser tão simplesmente um renascer. No meu caso, a fuga é uma mera mudança de ares. Ruas diferentes, pessoas diferentes. Menos ruas, menos pessoas. Menos de quase tudo que já era demais. Sem mais correrias, sem mais distâncias desumanas, sem aglomerações. Tudo aquiparece pacífico e tranquilo. A vista da janela tem um ar ao mesmo tempo urbano e bucólico. Campos verdes estendem-se além dos poucos prédios que delimitam a cidade.

Na minha primeira noite aqui tive um sonho, que já não lembro mais. Acho que tudo vai ser assim agora. Esquecimento completo das coisas que simplesmente já não importam.

Um dia eu voltarei, só não sei para onde.
Uma fuga, às vezes, é só uma fuga...

sábado, 10 de outubro de 2009

Epílogo - A floresta de outubro.

"As lembranças que agora descansam nesta floresta, para sempre escurecerão o amanhecer em meu coração..." Opeth - Forest of October.


Ouço o som de passos que se afastam na noite. Lentos, como que sem nenhuma pressa, ficando mais e mais fracos, até que só resta o silêncio. Na escuridão, só eu consigo ouvir a canção sem versos, cujo refrão inventado repete-se odiosamente. Lembrar insistente. Pensar nostálgico. Ontem vazio. Lembranças de algo que não aconteceu. Ainda, meu sorriso é sincero. Um vulto se afasta sem direção, sob meu olhar fraterno, quase paternal. Não há estrelas no céu, e a lua é ausente, por opção.

Volto ao meu lugar de contemplação. Meu cemitério secreto, sem lápides, sem epitáfios, onde entre galhos torcidos e raízes nuas de solo negro, jazem as lembranças e as saudades que já não sinto. Aqui retorno vez que outra, sem mágoas ou pretensões. Aqui mora parte de mim.

Sento-me, e por um instante fecho os olhos. Eu sei que na noite passada, o sonho foi real. Vi um rosto familiar, de um sorriso sincero que só acabou ao despertar. Ouvi palavras sem sentido, sem significado. A dama das lágrimas cede-me um último suspiro antes de partir...

Contudo, sinto-me invulnerável. Pois através da chama eterna, eu viajo, enquanto a chuva continua a cair.

Tudo está bem agora.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sobre existir.

ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
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ninguém responde.
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ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.
ninguém responde.

...NINGUÉM responde.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

três, dois, um... zero the hero?



Tuonela - Da mitologia Finlandesa. O mundo dos mortos.

A contagem regressiva nem havia acabado e eu já estava em São Paulo, caminhando.
Céus, caminhei por lá quase o dobro de tudo que havia caminhado no ano todo, em Porto Alegre. É, eu sei, sou extremamente exagerado. Sou quase tão exagerado quanto Bill Gates é rico. Não, mentira.

Não tenho palavras para dizer o que foi o fim de semana. Algo surreal, como eu cansei de dizer por lá. Ter o privilégio de receber e cumprimentar a banda que, de certa forma se fez presente em toda a minha vida, e cujas músicas se empilham na trilha sonora da minha existência foi um privilégio único.

Eu mal havia colocado os pés para fora do aeroporto, e já um sinal de que os próximos dias não seriam normais. No ponto, em frente a Congonhas, uma figura me observava sem o menor constrangimento. Um rosto familiar, pensei, mas não poderia ser ninguém que eu conhecia. Tudo ficou ainda mais estranho quando além de me encarar, o sujeito começou a andar em minha direção. Por trás dos óculos escuros eu tentava reconhecer o rosto que me olhava insistentemente, mas não ousei mover um músculo. "Raul?..." ele perguntou. Óbvio, era o Paulo. Meu colega da sétima série. O cara com quem compartilhei tardes e mais tardes desenhando. Pra resumir: O baterista do Malefia, que eu não via desde a separação da banda, quase 10 anos atrás. "Cidade pequena!"

Ainda na sexta-feira eu iria ao encontro do produtor, para saber dos detalhes do meet & greet que aconteceria no dia seguinte. A surpresa veio quando, ao ligar para ele, descobri que poderia ainda no mesmo dia encontrar com a banda. Rapidamente peguei minhas coisas, um ou dois telefonemas e rumamos em direção à Via Funchal.

Em frente ao hotel, os minutos passavam. Oito e meia, era o horário previsto, e às nove e meia, nada. Nenhuma van, nem pessoas, nenhum movimento. O prédio era estranhamente vazio e pouco iluminado. Às dez horas, perguntamos ao guarda que passava, apenas para descobrir que esperávamos em frente ao lugar errado. O centro administrativo estampava o mesmo nome do hotel. Gentilmente, o guarda nos deixou passar por dentro do prédio, evitando uma longa volta na quadra. Chegamos ao jardim do hotel, próximo ao lobby. Algumas outras pessoas com camisetas do Children of Bodom aguardavam também.

Confesso que nesse momento eu me senti um tanto estranho... Eu, um homem crescido, de 27 anos, havia viajado 1100km (de novo) para ver um show, e estava esperando na porta de um hotel, por um bando de homens pouco mais velhos, tão somente para que autografassem um CD.
Estranho, o que a música me faz fazer...

Já era quase meia noite quando as vans chegaram. Eu estava morrendo de sono, pois não dormia direito desde a quinta-feira. Lembro-me que levantei e andei em direção à van, de onde desciam pessoas falando em finlandês. O primeiro a perceber a camisa com o logo (Ukonvasara) e o nome da banda foi Santeri Kalio, que timidamente caminhou em minha direção. Entreguei-lhe o CD (Tuonela) e a caneta. Sentimento estranho. Estar na presença das pessoas que compuseram tal obra prima reduziu o meu inglês a um nível tão medíocre que não consegui dizer mais que algumas palavras embaralhadas. Quisera eu ter agido como qualquer pessoa normal. Ter simplesmente dito a eles a importância de suas músicas para mim e para todos os que aguardavam o show, mas não consegui. Pedi autógrafos como uma garotinha pediria à Xuxa. Foi patético. Apertei a mão de Santeri e em seguida do baterista, Jan. Fiz questão, ao menos, de pronunciar os nomes de todos. Mostrar que conhecia a banda, e que não era um simples fanboy em busca de autógrafos. Quando percebi, toda a banda estava ao meu redor. Não precisei andar um centímetro sequer para conseguir meu cd autografado. Ele passava de mão em mão entre os membros do Amorphis, que me observavam curiosos como se não esperassem ver alguém ali, por causa deles. Jan estendeu meu cd para Niclas, que em seguida o passou para ninguém menos que Esa Holopainen, parado, na minha frente. Entreguei a ele uma caixa, um presente. Uma demonstração do quanto aquele dia era importante não apenas para mim, mas para todos os fãs da banda. - "Este é um presente do Brasil, para o Amorphis." - Disse a ele. Um obrigado sincero e quando percebi, o próprio Tomi Koivusaari entregava-me o meu CD. Timidamente, despediram-se, e começaram a subir, um a um. Tomi Joutsen, membro mais recente da banda, esperava ao nosso lado, um tanto isolado do grupo principal, mas também assinou o CD, apesar da aparência cansada. Desejei-lhes um bom show, sem conseguir dizer mais do que isso, e então fui falar com o produtor.

Depois de tudo acertado, pegamos um taxi de volta ao hotel. Eu mal podia parar de pé, de tanta fome e sono. O dia havia sido estranhamente bom, atípico. Ao olhar para o Tuonela, lembrei-me do momento em que o ouvi pela primeira vez. Uma manhã fria e ensolarada de inverno, quando também pela primeira vez, eu gostei de sentir o sol batendo em meu rosto.

"
Forjando o futuro, pela pedra eterna
Oh, deixa-me saber o quão longe eu posso ir
Responde às perguntas que ninguem faz
Flutua no mar da loucura
Encara o cotidiano

Tão só para pensar
Tão triste estar só
Na neblina do desconhecido
Tento me enganar
Com sonhos que nunca se tornam reais
Tão difícil permanecer são
Nunca mais
Nunca mais
Irei falhar?

Não me digas para esperar
Diga-me para viver o hoje
Enquanto as flores apodrecem
Esquecerei minha dor

Desde que as estrelas brilham
O diabo me mostrou o caminho
"

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Contagem regressiva. Quatro

Terça-feira, pós feriado de "Independenssia do brasíu".

Céu cinza, chuva fria, temperaturas baixas. O vento forte derruba antenas por aí...

Faltam 4 dias para Amorphis.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sobre o orgulho brasileiro.




Assunto da semana: A cantora Vanusa dispara uma versão "rebelde" do hino nacional durante a reunião primeiro encontro estadual de agentes públicos de SP. Imediatamente, a internet revolta-se. "Que falta de respeito" dizem uns. "Mas que absurdo, não conhecer o hino!" dizem outros. "É por isso que o país não vai pra frente!" dispara a frase pronta o comentário no youtube.

Não vou defender a Vanusa, não. Antes de mais nada porque não a conheço e tampouco a sua carreira. Não gosto de música brasileira, mas isso é questão de gosto pessoal. Nada contra quem gosta. Se ela errou o hino, o problema é só dela. Deve ter seus motivos.

Mas o fato mais interessante é que, nessas horas todo mundo é incrivelmente patriota e orgulhoso! Defensores ferrenhos da "brasilidade". Gente que seria capaz de pegar o fuzil e ir defender seus ideais, no grito e na força! Ou estou errado? Malditos sejam aqueles que não sabem o a letra do hino nacional, e que não respeitam o próprio país onde nasceram, não é mesmo?

A grande verdade, porém, é que GRANDE PARTE do povo brasileiro não sabe a porra do hino nacional. E querem saber mais? AINDA BEM! Digo. Não vou entrar na questão do porquê. Basta saber que acredito na evolução pessoal, ao invés da cegueira do patriotismo. Acredito nos verdadeiros valores, no respeito ao próximo, e não em um conjunto de leis estúpidas, quando não tendenciosas, feitas pra proteger um grupo específico, das quais somos reféns. Não sou ingênuo para acreditar que tudo que me ensinaram na escola é o certo e o apropriado...

Enfim. Eu arrisco dizer que pelo menos a metade dos críticos de Vanuza na internet, não saberia transcrever a letra do hino em um pedaço de papel. Não ao menos, sem uma meia dúzia de erros de português.

Assunto complicado esse, aliás. Errar o português causa tanta (ou mais) discórdia entre os internautas quanto a letra do hino nacional. E que o diga a Xuxa, outra recente vítima da ira da inquisição brasileira, defensora da língua, dos costumes e do orgulho nacional.

Vejamos...O português é uma língua pomposa, cheia de regras (muitas delas desnecessárias, por sinal) e complicada. Começa pelo fato da língua falada ser substancialmente diferente da língua escrita. É como uma madame esnobe que se veste com peles, usa maquilagem da mais cara e anda com um poodle tingido de rosa, com o nariz lá em cima durante o dia, mas que à noite joga seu vestidinho mais sexy por cima da calcinha mais "enfiada" e vai pra boate, ser filmada dançando o créu.

Em um país cuja taxa de analfabetismo funcional é de 75%, é de se esperar que ocorram deslizes, aqui ou ali, não é mesmo? Além do mais, me parece perfeitamente normal que uma criança de nove anos cometa um erro de português. Ou será que não? O problema todo é que a criança, nesse caso, teve o azar de ser filha da Xuxa...

O brasileiro não perdoa. Adora encher a boca. Quer livrar o mundo dos infiéis e não vou me espantar quando começarem a explodir bombas nos estádios de futebol. (hmm.. peraí...)

É preciso ser muito cego pra não ver os problemas nesse país. Viver em um mundo cor-de-rosa verde-amarelo no qual tudo é sempre uma festa, onde se queimam os infiéis as bruxas pela manhã e se pára tudo no final da tarde para assistir o jogo da seleção.

Sarah Lacy pode até não conhecer o princípio da "reciprocidade" brasileira, mas foi outra a ser malhada na internet por falar "mal" do país. Bastou dizer que o governo é mal organizado (ora, meesmo????) e que não há segurança, pra ser prontamente hostilizada com o mais ácido ódio anti-americano, bastante típico em terras tupiniquins.

Não acho que "o-país-não-vai-pra-frente" por causa da falta de conhecimento do hino nacional. Não acho que o patriotismo irá salvar ninguém do poço escuro da ignorância e muito menos acho que o português irá mudar magicamente a postura arrogante que o brasileiro tem por natureza. Acho que pra mudar alguma coisa, precisamos antes de mais nada aprender a não vivermos cheios de um orgulho irracional, xenofóbico, que nos limita a visão e nos torna calados, cúmplices de crimes indizíveis,contra o ser humano, que acontecem bem debaixo do nosso nariz.

Enquanto lá em Brasília, o sr. Molusco segue sem saber de nada, a mãe gentil larga seus filhos no lixo, em berço esplêndido, debaixo da ponte, mas confia no seu braço forte quando chega a hora de defender a pátria. A liberdade vende os seios (e um pouco mais) na esquina, enquanto assistimos felizes aos dribles do Ronaldinho.

Viva, viva, viva o Brasil!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

5 da manhã.

Mário Pertile - Estúdio Buteko diz: cara bah tem um filme de terror de ovelhas eu ainda nao sei se gostei ou nao gostei, mas eh bizarro

(Я) diz:
lol?
terror de ovelhas??

Mário Pertile - Estúdio Buteko diz: passou no fantaspoa ano passado nao sei se eh blacksheep, ou evil sheep ou algo do tipo eh umas ovelhas que começam a virar um troço que seria zumbi se fosse humano
bah eh tri bem feito mas eh diferente de tudo que o cara jah viu

(Я) diz:
zum"bah"
zumbé
zumbéhéhéhéhé

Mário Pertile - Estúdio Buteko diz:
hehehe
méééééévil