terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sobre diamantes raros


A joalheria nem sequer era das mais requintadas. Ficava em uma esquina cinza, em uma parte velha da cidade onde havia muito, não se desfilavam as roupas novas. Ainda sim, mantinha em sua vitrine jóias de beleza ímpar. Colares, brincos, anéis e broches, tudo feito pelo velho joalheiro que ali trabalhava desde moço.
Em uma tarde como outra qualquer, um jovem casal entrava pela porta adentro. A mulher trazia um sorriso imenso no rosto.
- Oi - ela disse, quase gritando.
O joalheiro respondeu com um sorriso simpático, por trás do balcão, em um carregado sotaque francês:
- Bem vindos a minha humilde loja. Como posso ajudar?
O rapaz adiantou-se:
- Queremos ver um diamante!
- Sim! um diamante! - retrucou a mulher, agitada.
- Pode trazer o maior e o mais caro que tiver! - disse novamente o rapaz, com um sorriso tão grande quanto o da moça ao seu lado.
- Oui, eu tenho a peça perfeita! - Disse o ouríves, enquanto dirigia-se à prateleira atrás de si.
- Este é o maior diamante da loja. Uma peça fabulosa, se me permitem - Falou enquanto retirava um colar dourado do mostruário. - São cento e vinte e cinco pedras, todas da mais alta pureza, e no centro, a cereja do bolo, quase tão grande quanto uma cereja de verdade.
No centro do colar havia um diamante de brilho indescritível. A peça parecia ter sido feita para uma rainha ou princesa, tamanha era sua beleza.
Os olhos da mulher brilharam ao enxergar a jóia.
- Ele é fantástico! - Disse.
- Te deixou mais linda do que nunca - elogiou o rapaz.
- Eu adorei, este é o mais caro? - Perguntou.
- Na verdade, é a terceira peça mais cara da loja. - Falou o velho joalheiro.
- Bom, acontece que nós ficamos noivos, e eu queria dar à minha noiva a peça mais cara que tiver!
- Ah, permitam-me dar os parabéns! Vocês formam um casal formidável. - Disse o velho. - Mas se é a peça mais cara que vocês procuram, então talvez devam ver isto.
E após guardar o colar de volta na prateleira, abriu uma gaveta abaixo do balcão, de onde retirou uma caixa de veludo azul.
- Eis a peça mais cara de toda a loja. - Ao dizer isso, abriu a caixa, revelando dentro dela um medalhão prateado, com doze pedras verdes, e incontáveis brilhantes.
- É lindo! - Disse a mulher, cobrindo a boca com as duas mãos. - São esmeraldas?
- Não, não, madmoseille, veja, a beleza desta peça está na forma sutil como o ouro foi purificado até atingir esta coloração prateada. Este é o ouro mais puro e mais caro que irá encontrar em toda a cidade, e arrisco a dizer, em todo o país. Estas pedras verdes encravadas não são esmeraldas, oh não. São diamantes gêmeos de coloração ímpar. Vieram de uma mina africana de onde saíram os maiores e mais belos diamantes do mundo. - Explicou com um sorriso. Esta coloração nunca mais foi encontrada no mundo todo. São diamantes únicos. Não existem mais peças como esta, e é por isso que esta medalha custa quase dez vezes o valor da maior pedra da loja.
- Fantástico - Exclamaram os noivos.
- Contudo, permitam-me fazer uma sugestão.
- Sim?
- Um noivado não precisa necessariamente da pedra mais cara, ou da maior. Eu tenho aqui em minha loja algo perfeito para um casal tão jovem. É algo verdadeiramente especial. Gostariam de ver?
- Claro! por favor. - Disseram.
- Pois bem. Disse o velho enquanto guardava a caixa de veludo na mesma gaveta de onde tirou uma pequena caixa de madeira que parecia muito antiga. Ao abrí-la, haviam dois anéis dourados, cada um com um único diamante.
- Esta peça foi encomendada ao meu pai por um velho amigo, muito antes de eu nascer. Era um soldado a serviço do exército francês que lutou na primeira grande guerra. Durante três anos, antes mesmo de ser convocado, ele veio à loja de meu pai todos os dias trazendo moedas que conseguia juntar, confiando a ele a responsabilidade de, quando o dinheiro fosse suficiente, confeccionar um par de alianças, com as quais pediria a mão de sua amada. Ao final de três anos, meu pai já tinha o dinheiro para o ouro das alianças, mas resolveu dar ao bom homem um presente pela sua persistência, e colocou nas alianças duas pedras brilhantes. Não as mais caras, nem as maiores que tinha, ainda sim, duas pedras dignas do esforço do jovem soldado. Quando ele entrou na loja de meu pai para dar-lhe as moedas daquele dia, meu pai falou: "- Guarde-as, meu bom jovem, pois suas alianças estão prontas."Ao dizer aquilo, meu pai estendeu-lhe esta pequena caixa com as duas alianças. Seu sorriso, meu pai contava, foi mais brilhante do que todas as pedras e todas as jóias da loja. Mas o jovem não quis sequer tocá-las, pois estava sujo de lama. "Eu voltarei amanhã para pegá-las" Ele disse. Mas isso nunca aconteceu. Ainda naquele dia, ele fora chamado ao norte, para defender a frança contra os invasores alemães. A jovem moça que deveria ter sido pedida em noivado jamais soube do esforço daquele nobre soldado.
Após uma pequena pausa, o velho joalheiro continuou:
- Estas peças possuem um valor que nenhuma jóia desta loja pode igualar.
- Sim mas, são pequenas demais - Disse a mulher. Com certeza são baratas demais. Quero ver de novo o medalhão!
O sorriso que até então havia no rosto do ouríves sumiu.
- Os senhores jamais entenderão o verdadeiro valor da peça que acabei de mostrar-lhes. Quero pedir que retirem-se desta loja.
Contrariado, o rapaz respondeu:
- Como assim? Isso é um insulto! Nós viemos comprar uma peça cara e o senhor nos mostra uma semi-jóia? E ainda se atreve a nos expulsar?
- Como eu disse antes, meu rapaz, você jamais entenderá o valor deste par de alianças. Há muitas joalherias nesta cidade e eu tenho certeza de que não terá problemas em encontrar pedras imensamente caras para a sua noiva.
- Velho maluco! - gritou a mulher.
- Há cinquenta anos, minha cara, eu tento dar este presente a alguém que seja merecedor, e cada casal de noivos que entra por aquela porta renova a minha esperança. No entanto, é sempre com descaso que minha história é ouvida. Não uma vez sequer, alguém ficou tocado com a persistência daquele homem, ou com a forma injusta com que a vida lhe negou a oportunidade de ser feliz ao lado da pessoa que amava. Portanto, sim, saim daqui, e saiam logo. Podem bradar insultos contra mim, não me importo. Há uma infinidade de tesouros lá fora, para quem quiser encontrar e por eles puder pagar. Vão logo, eu insisto! Busquem a pedra mais cara, ou a maior. Busquem o brilho inerte. Busquem a ostentação, o luxo, o circo. A chance única de dar a estes anéis o final que eles merecem, não será sua. Au revoir!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

30 razões pra não se fazer aniversário.

1 - Você senta em frente ao computador pensando em infinitas razões pra não se fazer aniversário, e no final descobre que nenhuma delas é tão forte quanto o sentimento de desistência que o toma por completo, antes mesmo de escrever a primeira.

Distimia em seu máximo (ou mínimo... sei lá...).

sábado, 31 de dezembro de 2011

Tempo

Ele não existe.
Ele não existia antes do Big bang, e não existe fora do intelecto humano.
Usamos o tempo como medida das coisas que ainda podemos fazer, antes do momento em que deixamos de existir dentro de nossa própria compreensão.
Tempo é quantas palavras ainda podemos dizer, quantas vezes ainda podemos suspirar e quantas lágrimas ainda podemos derramar.
Mesmo a percepção daquilo que chamamos de tempo está condicionada. O ser humano existe em um momento e espaço que chama de universo infinito, existente ao tempo que compreende por 13,7 bilhões de anos. Até onde sabemos, isso pode não passar de um mero "piscar de olhos". Aquilo que hoje chamamos de universo, não passa de um mero retrato, estático em nossa escala de tempo. Não acho que sejamos capazes de compreender o que, em escala, seriam trilhões de anos, aonde cada segundo equivale a idade de nosso próprio universo. Ou mesmo compreender uma "realidade" aonde o um ou mais "multiversos", não passam do espaço entre dois átomos, de uma molécula qualquer, em um elemento qualquer, de um outro universo qualquer.

Medir o espaço e o tempo. Mera ilusão infantil.

Comecei este post no dia 31 de dezembro de 2011. Agora já é 01 de janeiro de 2012. Exceto pelos fogos lá fora, de uma aparente comemoração que igualmente, não consigo compreender, absolutamente nada mudou.

sábado, 8 de outubro de 2011

Sobre mendigos modernos


- Moço, ô moço, será que tem um trocadinho aí? Qualquer coisa serve...
- Desculpe, não tenho nada...
- Ô moço... mas nem uma moeda aí no fundo do bolso?
- Não, desculpe.
- Poxa, mas se tivesse você daria?
- Pra quê? Pra você gastar em cachaça?
- Não moço, que é isso. Não bebo cachaça não... Isclusive, tá lá no meu Feicebuque. Não bebo, não fumo e não voto mais não senhor.
- Como é?
- Larguei as porcarias!
- Você tem Facebook?
- Tenho sim! Isclusive, o senhor bem que podia virar meu fã lá né? Pô moço, não custa nada, só vira meu fã ali que eu logo chego nos vinte mil.
- Você, tem vinte mil fãs no Facebook?
- É vinte ou trinta, que eu já não lembro mais. Eu sempre confundo com o orcute. Alinhás, moço, o senhor bem que podia entrar na minha comunidade lá né?
- Eu não uso Orkut.
- Ô moço, mas que coisa feia, negando um cliquezinho nas propagandas. Sabia que eu ganho 5 centavos pra cada clique que dão nas propagandas lá no orcute?
- É por isso que eu não entro no orkut. Odeio propagandas.
- E blogue, o senhor lê?
- Como é? Você tem blog?
- Tenho sim senhor... Podia deixar um comentário lá né?
- Mas que comentário eu vou deixar no seu blog?
- Sei lá, uma mensagem de incentivo, um elogiozinho, pô moço, não seja pão duro não!
- Tudo bem, eu vou entrar no seu blog, e deixo uma mensagem, ok?
- Ah, mas assim eu fico feliz e faceiro! Vou até postar no meu tuíti que um rapaiz bacanão me prometeu uma visita no blog!
- Você tem twitter também?
- Mas não só tenho como sou seguido por uma carambalhada de gente!
- Estou chocado. Como você conseguiu tanta gente?
- Ah moço, tenho experiência nessas coisas de mindigagem... Sabe como é, pede um cliquezinho aqui, um cadastrinho ali, vende uma publicidadezinha no blog, outra no website...
- Bom, não seria de surpreender se você também tivesse Myspace além de tudo...
- Orcute, feicebuque, maispêice, tuíti, blógue e uebesáite!
- E o que tem no seu website??
- Ah moço, tem um monte de coisa lá, mas no mais no mais, eu vendo camiseta!
- Como é que é?
- Tanta gente por aí que ganha a vida dizendo besteira e vendendo camiseta... Entrei na onda também!
- Inacreditável.
- Ô moço...
- Sim?
- Leva uma camiseta aí então?
- Desculpe, já disse que não ando mais com dinheiro no bolso...
- Preucupe não... peraí, deixa eu pegar meu aipédi e o senhor já transfere tudinho pelo Peipal...
- Ok...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Rascunhos

Não é a primeira vez que eu me pego a revirar meu arquivo de baboseiras.
Entre tantos começos de textos que muitas vezes perdem completamente o sentido depois de um tempo, às vezes consigo encontrar certos "tesouros", que por um motivo ou outro acabam ficando esquecidos, incompletos, se não apenas em um canto da memória, em um beco escuro e mal frequentado qualquer, na internet.

E no meio dos textos merecedores de uma segunda chance, eis que encontro um certo espasmo mental, não apenas digno de ser publicado, mas também um que me traz um sentimento de injustiça, pois a pessoa a quem era destinado jamais o leu, e jamais poderá fazê-lo.

O mais triste de tudo isso é lembrar que, cada uma das palavras que ali estão, foram pensadas com um sorriso em mente. Um sorriso que não era meu.

Fui tão perfeccionista com a minha própria mediocridade, que acabei deixando escondida, uma das poucas provas de amor que, posso garantir, saiu diretamente da minha alma, com endereço certo.
Agora ao ler estas palavras, que dizem "Eu te amo, obrigado por estar na minha vida", de forma tão inconvencional, consigo ver todos os projetos que tenho, deixados de lado. Todas as músicas, todos os livros, todos os quadros e objetos de arte, cujo único propósito é deixar algo além da minha existência, ameaçados pela fria mão do esquecimento. E sinto que, não apenas corro o risco de jamais conseguir ver qualquer um dos meus projetos concretizados, como também sou obrigado a conviver com a certeza de que eu devia simplesmente ter dito: "Eu te amo, obrigado por estar na minha vida..."

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Post: "Sobre os ciclos"
Data: 08/12/09 - jamais publicado.


Sobre meu encontro anterior com o Destino:
http://3mooons.blogspot.com/2008/09/sobre-arte-de-perder-uma-guerra.html

Lembro-me de uma noite não tão fria, nem tão quente, que apenas existia em algum outro instante que não os memoráveis. Monótona, sem cheiro, sem cor, despida de qualquer propriedade. Incapaz de provocar qualquer um dos sentidos. Tudo era como sempre costumava ser. O silêncio, perturbador. Ainda sim, os visitantes divertiam-se naquele pequeno encontro. Não uma festa, nem uma reunião, nem um velório. Apenas outra noite, no pequeno apartamento. Na sala, conversavam sentados no sofá, o Tédio e a Desmotivação. Uma conversa longa, entre frases compridas e detalhadas, respostas curtas, inseguras. Ao lado dos dois, dormia tranquilo o gato. Na cozinha, o Desespero e a Compulsão preparavam algo sem sabor, para o jantar com ares de café da manhã. No quarto, deitados na cama, apenas a Insônia e eu.

Levantei-me em um impulso já tão comum, tão rotineiro, a perseguir um rumo que desconhecia, entre minha cama e a sala. Tentei acender a luz, mas encontrei a mão da Preguiça, espreguiçando-se bem diante de mim. Pedi desculpas e continuei, no escuro. A luz que entrava pela janela era forte o bastante, permitia enxergar as expressões de meus visitantes.
"Meu amigo!", disse-me o Tédio, abrindo um sorriso enorme, ao me ver. "Vem cá! Senta aqui com a gente! Estamos batendo um papo legal sobre o sentido da vida..."
Recusei com um gesto, antes de sentar-me diante do computador desligado. No reflexo da tela, pude ver quando entraram saltitando a Obsessão e a Paranóia. Abraçadas, riam histericamente, enquanto giravam em uma dança desconhecida. Ignorei a comoção, tentando concentrar-me. Inútil, ela não estava lá. Minha tão querida amiga, companheira para todas as horas, a Inspiração, havia me abandonado completa e definitivamente.

Naquele instante, parei e olhei para cada um de meus visitantes. Os olhares, de uma inocência inexplicável encaravam-me com certa confiança. Entre todos eles, o Tédio parecia mais à vontade do que qualquer outro. Sentado, colocara os pés em cima do sofá, já sem a manta branca que jazia no chão, ao lado da preguiça, em seu leito improvisado. Hóspedes que de tão bem tratados, pareciam querer mudar-se definitivamente para lá. "Seria o ambiente, propício?" Perguntei, pensando.

Mas com um daqueles pensamentos enigmáticos, como que plantados providencialmente, lembrei que ainda faltava alguém. Olhei para os lados, confuso, tentando encontrar uma presença que simplesmente não lembrava. Olhei na cozinha, no quarto, na sala. Fui até mesmo ao banheiro procurando e nada encontrei. Mas ao retornar à sala, logo tudo fez sentido. Diante de mim, com os olhos cheios de lágrimas, estava a Tristeza em pessoa. E mal havia colocado os pés para fora da porta, correu até mim e abraçou-me apertado, soluçando, aos prantos. Conformado, retribuí o abraço. Atrás dela vinham a Mágoa, a Decepção, Desilusão, Raiva, Angústia e outras, cujas faces eu não podia ver. Pensei ter visto a Saudade entre elas, mas não pude saber com certeza.

E então eu lá estava, entregue aos tratos de tão envolventes presenças, quando a partida de xadrez que acontecia na sala, entre o Tédio e a Preguiça, foi bruscamente interrompida pelo soar da campainha. Surpreso, levantei-me e andei em direção à porta.

Ao abrí-la, vi do outro lado um rosto familiar, o destino, que me olhava friamente.
Não disse qualquer palavra. Apenas continuei a encará-lo, tentando entender o que estaria reservando para mim. Mas ao invés de um cumprimento grosseiro, ou de um insulto, o adolescente me estendeu a mão amigavelmente. Desconfiado, retribuí o gesto, e perguntei:
- Quer entrar?
- Não precisa, obrigado, já fiz o que vim fazer.
Ao dizer estas palavras, sorriu e desapareçeu no ar, deixando-me com um ar incrédulo.

Fechei a porta e olhei para trás. Não havia mais ninguém. O gato continuava dormindo ao lado de onde antes, estava o tédio. Não mais ouvia a voz murmurante da apatia, nem o gargalhar da preguiça. Sentia-me estranhamente revigorado pela estranha e tão rápida visita.

Liguei o computador, e lá estava uma mensagem nova. Inesperada.

"Cada pessoa é universo único,e seria um prazer conhecer seu universo.As pessoas me chamam de louca,por acreditar nas coisas e ainda querer um mundo melhor,pode ser até besteira as vezes,como eu mesma penso que é,nos momentos de depressão...Mas se eu não acreditar em algo,como permanecerei viva?"

Com um sorriso, levantei-me. Deitei em minha cama abaixo da janela, enquanto observava a última visitante em minha casa. A tristeza despediu-se de mim com um beijo, sem qualquer vontade, antes de desaparecer ao irritante som do canto dos pássaros.

"Dorme agora... Inspira-te. Tu já sabes... Tudo vai ficar bem."

Ainda pude ouvir a doce e suave voz da inspiração dizer-me, antes do mundo ficar negro e silencioso mais uma vez.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Three

"We choose to go to the moon, not because it's easy, but because it's hard. That challenge is one that we are willing to accept, one we are unwilling to postpone, and one which we intend to win."


Take me back to my boat on the river
I need to go down, I need to come down
Take me back to my boat on the river
And I won't cry out anymore
Time stands still as I gaze in her waters
She eases me down, touching me gently
With the waters that flow past my boat on the river
So I don't cry out anymore

Oh the river is wide
The river it touches my life like the waves on the sand
And all roads lead to Tranquillity Base
Where the frown on my face disappears
Take me down to my boat on the river
And I won't cry out anymore

Oh the river is deep
The river it touches my life like the waves on the sand
And all roads lead to Tranquillity Base
Where the frown on my face disappears
Take me down to my boat on the river
I need to go down, won't you let me go down
Take me back to my boat on the river
And I won't cry out anymore
And I won't cry out anymore
And I won't cry out anymore